Professora do Rio usa fantasias de super-heróis e personagens infantis para alfabetizar alunos e vence prêmio nacional
15/10/2026
(Foto: Reprodução) Professora do Rio usa fantasias de super-heróis e personagens infantis para alfabetizar
A professora Luziene Rosa Sobreira das Chagas encontrou nas fantasias de personagens infantis e super-heróis uma forma de tornar a alfabetização mais divertida. Na Escola Municipal Maria Quitéria, em Bangu, na Zona Oeste do Rio, ela transforma a sala de aula em um espaço de brincadeiras para ensinar crianças a ler e escrever. O trabalho foi reconhecido pelo prêmio Rede CpE na Sala de Aula, da Rede Nacional de Ciência para Educação.
A ideia surgiu quando Luziene percebeu que algumas crianças chegavam ao primeiro ano do ensino fundamental desanimadas com a mudança na rotina escolar.
“Eu olhei aqueles rostinhos desanimados, as crianças chorando, e falei: o que eu posso fazer pra isso ficar mais divertido?”, contou a professora.
A partir daí, ela criou o alfabeto dos super-heróis, com personagens escolhidos pelos próprios alunos. Ao perceber o envolvimento da turma com a atividade, decidiu ir além e também passou a se fantasiar para dar aulas.
“A fantasia é o caminho pra chegar num propósito”, explicou Luziene.
Professora do Rio usa fantasias de super-heróis e personagens infantis para alfabetizar alunos e vence prêmio nacional
Reprodução/TV Globo
Método combina brincadeira e alfabetização
O projeto, batizado de Alfabetização Divertida: Práticas Docentes na Contemporaneidade, ajudou a professora a alfabetizar 100% dos alunos de suas turmas em 2023 e 2025, segundo a reportagem. Entre as crianças estão alunos neurodivergentes, como Matheus, que é autista.
A mãe do menino, Bruna Braga da Silva, contou que tinha receio de que o processo de aprendizagem fosse difícil para o filho.
“Por ele ser autista, eu achei que tudo seria muito difícil para ele. Mas não. Ele é muito inteligente, está se saindo muito bem. E agora fiquei mais feliz porque começou a ler”, disse.
A metodologia também mudou a relação de João, de 7 anos, com a escola. Segundo a mãe dele, Francisca Reginaldo da Silva, o menino passou a frequentar as aulas com entusiasmo e a contar em casa as novidades do dia.
Questionado sobre seu personagem favorito, João respondeu que é o Batman, por causa dos superpoderes. Ao ouvir se aprender a ler também poderia ser um superpoder, ele não teve dúvida: “Sim”.
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Prática tem respaldo na ciência da leitura
A criatividade da professora chamou a atenção da Rede Nacional de Ciência para Educação. O trabalho de Luziene está entre os vencedores do prêmio Rede CpE na Sala de Aula, que reconhece experiências inovadoras de ensino em diferentes regiões do país.
Para Janaína Weissheimer, coordenadora-geral da rede, a estratégia consegue aproximar os alunos do conteúdo por meio de referências conhecidas pelas crianças, sem deixar de lado os fundamentos da alfabetização.
“É extremamente difícil engajar a atenção dos alunos, e ela consegue isso através da conexão da cultura pop. Mas o que ela faz em termos de alfabetização está totalmente embasado pela ciência da leitura, que é desenvolver a consciência fonológica, que é o conhecimento dos sons da língua através de práticas pedagógicas lúdicas e envolventes”, afirmou.
Na escola, a iniciativa também é motivo de orgulho para a equipe pedagógica. A diretora, Márcia Regina Ferreira Lima dos Santos, destacou a contribuição da professora para o ensino.
“É uma alegria imensa ter a Luziene aqui como professora. Essa metodologia que ela desenvolve é um diferencial gigantesco na qualidade do ensino”, disse.
Educação como caminho de transformação
Com 26 anos de profissão e 24 na rede municipal do Rio, Luziene afirma que continua motivada pela possibilidade de transformar a vida dos alunos por meio da educação.
A professora conta que sua própria trajetória foi marcada por essa oportunidade. Filha de uma mãe viúva e criada em uma comunidade com poucos recursos, ela se formou em Pedagogia pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), fez pós-graduação e se tornou professora concursada.
“Eu acredito na educação porque eu sou fruto dela. Sou filha de uma mãe viúva, criada em uma comunidade com poucos recursos. Graças à educação, me formei em Pedagogia pela Uerj, fiz pós-graduação, me tornei professora concursada e construí minha trajetória profissional”, contou.
“Por isso, procuro passar para as crianças um pouco do que eu recebi, mostrando pra eles que educação é a ponte para melhora de vida”, completou.