Jorge Canella é solto um dia antes de deputado eleito Márcio Canella ser preso pela PF no RJ
15/10/2026
(Foto: Reprodução) Armas apreendidas na casa do vereador Jorge Canella (União Brasil) por agentes da Polícia Federal
Reprodução e Divulgação
O vereador do Rio de Janeiro Jorge Canella (União Brasil) foi solto na noite desta quarta-feira (14) após a Justiça conceder expedir o mandado de soltura. Ele estava na unidade prisional da Polícia Militar desde o dia 22 de setembro, quando foi preso pela Polícia Federal na Operação Carne Unha.
A soltura aconteceu um dia antes do deputado eleito Márcio Canella (União Brasil), ser preso no âmbito da mesma investigação da Polícia Federal. Márcio já tinha sido preso anteriormente pela PF.
Márcio Canella (União Brasil), ex-prefeito de Belford Roxo, foi preso pela Polícia Federal nesta quinta-feira (15), na oitava fase da Operação Unha e Carne.
A investigação apura um esquema de lavagem de dinheiro por meio de uma rede de postos de combustíveis que, segundo a PF, movimentou mais de R$ 7,6 bilhões entre 2020 e 2026. Os investigadores apontam Canella como um dos articuladores políticos do grupo e investigam suspeitas de ligações com agentes públicos e integrantes do crime organizado.
Vereador do Rio é preso pela PF após agentes encontrarem dois fuzis e uma submetralhadora
A operação também prendeu o ex-secretário de Polícia Civil do RJ Marcus Amim e outros quatro investigados. A Justiça determinou ainda o bloqueio de bens e valores e a suspensão das atividades de 112 empresas ligadas ao esquema. A assessoria de Canella afirmou que ele ainda não teve acesso integral à decisão judicial.
Em relação a Jorge Canella, a PM informou que "embora o referido oficial seja da reserva remunerada, a Corregedoria Geral da Corporação acompanhará a tramitação da investigação e permanecerá à disposição das autoridades".
Jorge Canella tinha sido preso pela Polícia Federal durante a sétima fase da Operação Unha e Carne, após agentes encontrarem dois fuzis e uma submetralhadora de uso restrito na casa dele, na Barra da Tijuca, na Zona Sudoeste do Rio.
Os agentes cumpriam um mandado de busca e apreensão contra o vereador dentro da investigação sobre o fuzil apreendido na primeira prisão do ex-prefeito de Belford Roxo Márcio Canella (União Brasil).
📱Baixe o app do g1 para ver notícias do RJ em tempo real e de graça
✅Clique aqui para seguir o canal do g1 RJ no WhatsApp
Jorge Eduardo Barreto de Andrade Filho, o Jorge Canella, é coronel da Polícia Militar. O g1 apurou que o oficial conseguiu a cautela do armamento dentro da corporação. A medida foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
O nome verdadeiro do vereador carioca Jorge Canella é Jorge Eduardo Barreto de Andrade Filho. Ele adotou o sobrenome "Canella" apenas por consideração, apadrinhamento e aliança política com Márcio Canella, que também não tem esse sobrenome de batismo.
Márcio Canella e Jorge Canella na Câmara de Vereadores do Rio
Reprodução
Nota de Jorge Canella
Confira o posicionamento enviado pela defesa dele na época da prisão:
“A defesa do vereador Jorge Canella acompanhou a diligência realizada pela Polícia Federal na manhã desta terça-feira e reforça que todas as armas encontradas em sua residência eram de sua propriedade e estavam legalizadas.
O político, que é coronel da Polícia Militar, sempre pautou sua atuação na corporação de forma proba e ilibada e possuía o certificado do armamento.
O único questionamento que ensejou o encaminhamento do vereador à Superintendência da PF foi a divergência de endereço de registro das armas, procedimento administrativo que já vinha sendo adotado por ele, em razão de mudança de endereço recente com a sua família.
O vereador Jorge Canella confia plenamente na Justiça e esclarecerá todos os questionamentos o mais breve possível para que a verdade seja restabelecida.”
Fuzil da PM encontrado no carro de Márcio Canella
Reprodução
Relembre a prisão
O caso está ligado à apreensão de um fuzil calibre .556 encontrada no porta-malas do carro de Canella durante a 6ª fase da Operação Unha e Carne, em julho deste ano.
Na ocasião, Márcio Canella era alvo apenas de busca e apreensão, mas acabou preso em flagrante após a descoberta da arma. Ele alegou que o fuzil pertencia a um policial militar cedido para fazer sua segurança.
Aquela etapa da Operação Unha e Carne investigava uma rede de postos de combustíveis suspeita de movimentar R$ 7,6 bilhões em um esquema de lavagem de dinheiro. A PF apontava Canella como possível “braço político” do grupo investigado.
Canella ficou preso por 4 dias em Bangu 8 e foi solto em 11 de julho por decisão de Alexandre de Moraes. Inicialmente, ele passou a responder em liberdade sob medidas cautelares, como uso de tornozeleira eletrônica e recolhimento domiciliar noturno.
Em 24 de julho, Moraes revogou todas as restrições. Na decisão, o ministro afirmou que não havia, naquele momento, provas diretas da participação de Canella nas operações financeiras investigadas, embora as apurações devessem continuar.
A apreensão do fuzil da PM no carro do político levou o governo do estado a determinar o recadastramento obrigatório de todas as armas de uso restrito cedidas a outros órgãos.
Em agosto, Canella anunciou que desistiria da candidatura ao Senado para disputar uma vaga de deputado estadual na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj).
Márcio Canella, ex-prefeito de Belford Roxo
Reprodução
O que disse Márcio Canella
Em sua defesa em relação ao fuzil calibre .556 encontrado no porta-malas de seu carro, Márcio Canella alegou à Polícia Federal que a arma não pertencia a ele, mas sim a um sargento da Polícia Militar (identificado como Alexandre Paixão da Silva Júnior) que integrava a sua equipe de segurança pessoal. Ele negou qualquer posse irregular da arma.
Após a decisão do ministro Alexandre de Moraes que revogou as suas medidas cautelares, liberando-o da tornozeleira eletrônica, Canella também fez um pronunciamento nas redes sociais para se defender das acusações da Operação Unha e Carne. Ele escreveu:
“A minha confiança está em Deus, que nunca falha e sempre cuida de nós. Ele me conhece, conhece meu coração, conhece meu trabalho, sabe tudo o que eu fiz na vida política para melhorar a vida das pessoas, em defesa do cidadão de bem. Com fé no coração e gratidão por tudo o que ele tem feito, sigo em frente, num novo momento, de cabeça erguida.”
Sobre as acusações de envolvimento no esquema de lavagem de dinheiro em postos de gasolina, Canella negou publicamente as acusações ao longo do processo.