Funcionário da Alerj preso suspeito de vender fuzis para o TCP tem registro de CAC e teve dois 7.62 apreendidos
08/10/2026
(Foto: Reprodução) Operação da PF e do MPRJ mira venda de armas ao TCP
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O ex-funcionário da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) preso em um hotel de luxo na Avenida Lúcio Costa, na Barra da Tijuca, suspeito de vender fuzis para o Terceiro Comando Puro (TCP) apresentou um registro de Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador (CAC).
Com Marcel Rodrigues Fernandes, foi encontrado um fuzil calibre 7.62 no quarto de hotel, que tinha vista para o mar. Na casa dele em Angra dos Reis, também encontraram um fuzil do mesmo calibre. Por ser CAC, ele não foi preso por estar com as armas, mas sim porque tinha um mandado de prisão em aberto, que foi cumprido na Operação Magen nesta quarta (7).
Ao todo, foram 7 mandados de prisão. O policial civil Carlos Barnabé Souza se entregou nesta quinta (8). O único foragido da operação é considerado chefe do Terceiro Comando Puro, o Álvaro Malaquias Santa Rosa, conhecido como Peixão.
Segundo a investigação, Barnabé forneceria informações sigilosas para que integrantes do grupo extorquissem de criminosos com mandados de prisão em aberto.
Segundo as investigações da Polícia Federal (PF) e do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), Marcel Rodrigues Fernandes recebia cerca de R$ 8 mil por mês quando ocupava um cargo comissionado na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), mas movimentou mais de R$ 33 milhões em 5 anos.
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Alvo da Operação Magen foi preso em um hotel na Barra da Tijuca
Reprodução/TV Globo
De acordo com a investigação, Marcel ocupou um cargo comissionado na Alerj até outubro de 2025. Ele também teve um cargo no Detran-RJ, do qual foi exonerado em maio deste ano.
A operação foi deflagrada pelo Grupo de Atuação Especializada de Defesa da Integridade e Repressão à Sonegação Fiscal (Gaesf), do MPRJ, em conjunto com a PF.
A ação teve como alvo um grupo acusado de negociar armas para o Terceiro Comando Puro (TCP), facção chefiada por Álvaro Malaquias Santa Rosa, o Peixão, e de fornecer informações sigilosas para integrantes da organização criminosa.
As apurações começaram com a análise de um celular atribuído a Peixão. Segundo os investigadores, conversas encontradas no aparelho mostram como o traficante utilizava policiais e outros agentes para adquirir armamentos para a quadrilha.
Ainda de acordo com a investigação, o grupo negociou ao menos 22 armas, entre elas 13 fuzis calibre 5.56, além de granadas e uniformes da Polícia Civil.
Outros presos
Além de Marcel, outras 4 pessoas foram presas na operação:
Eduardo Thales Lopes Pires, ex-policial militar, que também ocupou cargo comissionado na Alerj entre 2022 e 2024;
José Carlos Ribeiro de Campos, ex-policial militar;
Johan Borja Portela, policial militar da ativa, atualmente lotado no Batalhão Ambiental;
Vitor Hugo Marinho Garcia, o Batata, ex-PM apontado pela investigação como chefe do grupo.
Batata foi preso em Nova Iguaçu. Segundo a PF e o MPRJ, na casa dele foram apreendidos 1 fuzil, 1 granada, R$ 67 mil em espécie e 14 aparelhos de celular.
Até maio deste ano, ele ocupava um cargo na Presidência do Detran-RJ. Segundo a assessoria de imprensa do órgão, ele foi exonerado pela atual gestão.
O Gaesf informou que os investigados já foram denunciados à Justiça e se tornaram réus. Eles responderão por crimes como organização criminosa armada, comércio ilegal de armas, lavagem de dinheiro, violação de sigilo funcional, usura, além de acusações relacionadas ao tráfico de drogas e armas, conforme a denúncia apresentada pelo Ministério Público.
Fuzil foi apreendido em hotel de luxo na Barra
Divulgação/PF
O que dizem as autoridades
Em nota, a Corregedoria da Polícia Civil disse que instaurou um processo administrativo disciplinar pra apurar a conduta de Carlos Barnabé.
A instituição disse que não compactua com qualquer desvio de conduta e que adota medidas administrativas e disciplinares diante de indícios de irregularidades dos seus servidores.
A PM disse que será instaurado um procedimento administrativo disciplinar para avaliar a conduta dos agentes.
O comando destacou o “total compromisso com a transparência e a lisura na atuação policial militar, não tolerando o cometimento de crimes ou desvios de conduta por parte dos seus integrantes, punindo com rigor os envolvidos quando constatados os fatos”.
A Corregedoria Geral da Corporação segue colaborando integralmente com os procedimentos em curso.
A PM e a Alerj não tinham se manifestado.