Após Megaoperação Contenção, MPRJ denunciou 28 PMs por obstruir câmeras corporais, invadir casas e roubar fuzil, celular e picolé
28/10/2026
(Foto: Reprodução) O que aconteceu um ano após megaoperação no Complexo do Alemão e da Penha com 122 mortos
Nos últimos meses, o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) denunciou 28 policiais militares que participaram da Megaoperação Contenção, que completa 1 ano nesta quarta-feira (28). Em 2 dias de confronto, 122 pessooas morreram.
PM recolhe fuzil durante megaoperação
Reprodução
As 12 denúncias se referem a crimes cometidos e gravados por câmeras nas fardas dos próprios agentes, como o roubo de um fuzil, peças de automóvel, um celular e até mesmo de um picolé da casa de um morador, além de obstrução de imagens e desligamento desses equipamentos. Casas de moradores também foram invadidas.
Coordenador do Grupo de Atuação Integrada em Segurança Pública (GAESP) do MPRJ, o promotor Fábio Corrêa disse que mais de 4 mil horas de imagens de câmeras corporais estão sendo analisadas. Ele ainda explicou quais são as acusações:
“Recusa de obediência, o que é previsto no Código Penal Militar, onde justamente há uma obstrução dolosa e deliberada das câmeras corporais para que não realizem as filmagens e ocultem o que de fato está acontecendo”, disse o promotor.
“Houve denúncias relacionadas a violações de domicílio, houve denúncias relacionadas à subtração de um fuzil que deveria ter sido regularmente apreendido e endereçado para as providências cabíveis, houve denúncias relacionadas à subtração de peças de um veículo que estava ali na comunidade, e denúncias relacionadas também a um picolé dentro de uma residência de morador”, pontuou.
Um relatório da Defensoria Pública do Rio de Janeiro e do projeto Mirante, da UFF, apresentou indícios de tortura, ameaças de morte e agressões a criminosos e moradores.
Relatório sobre vídeos de câmeras de PMs de megaoperação indica tortura, ameaças de morte e agressões a criminosos e moradores
Reprodução
📌Um ano da megaoperação: esta reportagem faz parte de uma série do g1 sobre os desdobramentos da ação realizada em 28 de outubro de 2025 nos complexos da Penha e do Alemão, com 122 mortos.
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Relatório sobre câmeras de PMs indica tortura, ameaças de morte e agressões
Nas imagens analisadas, o promotor afirmou que o Ministério Público encontrou 2 casos que chamaram a atenção:
"Um foi a questão do corpo decapitado e outro que foi um cadáver que ostentava tiros a curta distância. Foram as duas hipóteses que chamaram mais a atenção que, muito embora não sejam análises conclusivas, elas serão analisadas, cotejadas com todos os demais elementos da investigação para que se chegue a uma conclusão", disse o coordenador do Gaesp.
MPRJ denuncia PMs por invadir e arrombar casas durante megaoperação no Alemão
Raio-x dos complexos do Alemão e da Penha
Arte g1
Questionada sobre as denúncias, a Polícia Militar não respondeu até a publicação da reportagem.
PM denunciado foi segurança de TH Joias, diz polícia
Menos da metade de policiais do Bope e da Core utilizou câmeras corporais em megaoperação
Em um dos casos, o sargento Fábio Vicente de Souza foi gravado tentando retirar a bateria do equipamento, apontando a câmera para mesas, barris, muros e veículos.
Ele guardou o dispositivo dentro da viatura por aproximadamente 5 horas consecutivas para impedir a filmagem das ações policiais.
Além disso, o sargento também entrou em uma casa e permaneceu lá armado contra a vontade de um morador da Vila Cruzeiro. O laudo técnico de análise de vídeo confirmou que a invasão ocorreu momentos antes de o agente dar início a uma série de 9 desligamentos de sua câmera operacional.
TH Joias
Reprodução e Divulgação
Fábio foi investigado em 2017 pela Delegacia de Combate às Drogas (DCOD) por atuar como segurança particular de um operador financeiro do Terceiro Comando Puro em Madureira.
Na época, Thiego Raimundo dos Santos era conhecido como TH. Posteriormente, já com o apelido de TH Jóias, Thiego se tornou deputado e foi preso pela Polícia Federal por ligações com o Comando Vermelho.
Na época, a investigação da Corregedoria identificou que havia indícios de infração penal militar pelo sargento Fábio, que então trabalhava no 15º BPM (Duque de Caxias).
“Considerar que há indícios de infração penal militar praticado pelo 3º SGT PM Fabio Vicente de Souza, capitulado artigo 288 (Associação Criminosa), do Código Penal”, dizia um trecho da investigação da corregedoria da PM.
O caso foi encaminhado para a Promotoria ligada à Auditoria de Justiça Militar.
PMs conversaram sobre fuzil roubado
Guarnição do Batalhão de Choque investigada por crimes cometidos na Megaoperação Contenção
Reprodução
O sargento Diogo da Silva Souza, do Batalhão de Choque, teve áudios gravados pela sua própria câmera corporal articulando com outros colegas sobre como descartar e esconder um fuzil desviado durante a operação:
“Pô, tem que ir para um lugar deserto, colocar na caçamba... lá pra cima tem umas ruas desertas dessas aí.”
Junto com ele, foram denunciados os sargentos Vilson, Renato, Eduardo Coutinho e Wagner, além do subtenente Marcelo Luiz do Amaral.
"Eu vou tirar e colocar na minha mochila de novo, está separado, pode botar nesse daí?", diz o sargento Coutinho para o subtenente Amaral. Em outro momento, Amaral sugere que Coutinho faça um registro com o armamento.
“Tirar uma foto com ele lá”, disse o PM para o colega.
Corregedoria prende 5 PMs suspeitos de furtar fuzis na megaoperação de outubro no RJ
PMs denunciados
Veja a lista completa de PMs denunciados:
Alexander Nóbrega Caridade, 3º sargento: violação de domicílio, furto qualificado e recusa de obediência
Arleidson Santos Júnior, soldado: violação de domicílio
Bruno dos Santos Martins, cabo: violação de domicílio
Caio Teles Mathias, soldado: violação de domicílio e furto qualificado
Charles William Gomes dos Santos, 3º sargento: peculato majorado
Diogo da Silva Souza, 2º sargento: peculato, recusa de obediência, violação de domicílio qualificada, constrangimento ilegal e roubo qualificado.
Eduardo de Oliveira Coutinho, 3º sargento: furto qualificado, peculato, recusa de obediência, violação de domicílio qualificada, constrangimento ilegal e roubo qualificado
Emanuel D’Azevedo Ferreira, 2º sargento: recusa de obediência
Ewerton Guimarães da Silva, cabo: recusa de obediência
Fábio Vicente de Souza, 3º sargento: violação de domicílio qualificada e recusa de obediência
Gilson Félix da Silva, 3º sargento: violação de domicílio
Gustavo Giampietro, 1º sargento: peculato
Hélio Gonçalves Ferreira Jr., 3º sargento: violação de domicílio e recusa de obediência
Hugo Leonardo de Almeida, 2º sargento: violação de domicílio e recusa de obediência
Iassui Santos Rocha Junior, cabo: recusa de obediência e violação de domicílio qualificada
Jeferson B. Pereira, 3º sargento: violação de domicílio
Jefferson Ferreira Braga, subtenente: recusa de obediência
Leandro Neves Ribeiro, 2º sargento: recusa de obediência e violação de domicílio qualificada
Marcelo Luiz do Amaral, subtenente: furto qualificado e peculato
Marcos Vinicius Ferreira Silva Vieira, 3º sargento: peculato majorado
Paulo Cesar da Cruz Telles, subtenente: recusa de obediência, violação de domicílio qualificada e furto
Rafael Paes da Conceição, 3º sargento: violação de domicílio e recusa de obediência
Renato Vinícius Maia, 2º sargento: furto qualificado, peculato, recusa de obediência, violação de domicílio qualificada, constrangimento ilegal e roubo qualificado
Roger Pereira Folhadella, 2º tenente: recusa de obediência e violação de domicílio qualificada
Rômulo André Pires dos Santos, subtenente: violação de domicílio e recusa de obediência
Thiago Leandro da Silva, cabo: recusa de obediência e violação de domicílio qualificada
Vilson dos Santos Martins, 2º sargento: peculato, recusa de obediência, violação de domicílio qualificada, constrangimento ilegal e roubo qualificado
Wagner dos Santos Machado, 3º sargento: furto qualificado e peculato